Para ser bom, basta ser médico

quinta-feira, julho 19, 2018


      Devem estar a pensar que o título não tem nada de humilde, no entanto o significado que para mim ele tem não é o mais obvio e direto. Embora poucos pensem no assunto, nada menos se espera de um médico que a perfeição. Diria mesmo que se não víssemos nós as notícias dos telejornais nem cogitaríamos um possível fracasso médico….é possível uma costureira cozer mal um vestido? Claro…e um cozinheiro fazer uma comida insossa? Também …e um médico? Claro que não, é negligência, é descuido, deve pagar altas indemnizações etc etc.
      É bem verdade que os pacientes têm muita razão de queixa dos médicos, sendo que muitos não são bons de todo, mas dito isto também quero apelar à consciência das pessoas em relação aos problemas que os médicos têm…há uma ideia geral na população, errada, na qual os médicos têm uma vida perfeita de altos salários e trabalho fácil no qual passam 50% do tempo a lanchar e sem fazer nada. O salário dos médicos já não é assim tão bom, os hospitais estão a rebentar pelas costuras e por falta de material, não há condições para tratar os doentes como eles gostariam no SNS, têm de estudar por tantos anos que só acabam na idade dos 30’s, e a lista não acaba aqui… Se fosse um mar de rosas não haveria nem falta de médicos em Portugal nem greves.
      As altas expectativas que a sociedade deposita na profissão médica são perfeitamente compreensíveis, o mínimo deslize e uma vida apaga-se, e é tão fácil como quem apaga uma vela! Nada invalida que os médicos sejam humanos e, como todos, também erram, mas, apesar dos erros, os médicos devem almejar a perfeição. Devem ser um “modelo” pois caso contrário corre-se o risco de uma maior não adesão ao tratamento e falta de credibilidade numa cura….Os pacientes estão a recorrer cada vez mais à medicina alternativa e a suplementos duvidosos por falta de confiança na medicina, em contraste, para o médico comum algo provado como eficaz na cura de uma doença não seria chamado de “medicina alternativa”, mas apenas de “medicina”. Muitas vezes o paciente não tem o mesmo ponto de vista e talvez por culpa do profissional de saúde.
      Em jeito de conclusão devo fazer um apelo a que todos sigam a mesma filosofia aqui defendida do ter o ideal como um objetivo. Cada um de vós não representam apenas o indivíduo como pessoa, mas também um grupo! Tu que és um karateca e ao meteres-te em confusões e lutas na rua desgraças a classe dos praticantes da mesma modalidade. Assim como se fores bombeiro voluntário e ajudares as pessoas cria-se um preconceito positivo em relação à classe, ou seja, os bombeiros são bons.
      “Encontram-se oportunidades para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano.” - Voltaire


Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.