Visão nuclear da 2º Guerra

sexta-feira, julho 20, 2018

      Hoje pretendo-vos falar de um tema que é muito abordado na filosofia: será que no final da segunda guerra mundial o facto de as bombas nucleares terem sido usadas foi algo moralmente aceitável?
      Para iniciar a conversa devemos ter consciência da situação envolvente e tentar perceber como tudo se passou e porquê. O povo japonês da época era extremamente nacionalista, para eles a honra, a pátria e o imperador estavam acima de tudo, até mesmo da própria vida….não era algo que eles apenas diziam, eles agiam em conformidade com isso mesmo! Todos vós deveis estar cientes dos casos dos kamikazes (traduzido à letra “vento divino”) que eram pilotos japoneses que trocaram a vida por uma única tentativa de afundar um navio americano, muitas vezes sem sucesso, e mesmo assim para eles era uma honra serem escolhidos para tal papel.
    
      A ideologia de auto-sacrifício por esta nação imperial estava em todo o lado, o próprio hino de guerra dizia “Desembainhando a espada, devemos avançar, preparados para a morte” (coloquei-o abaixo, para poderem ver). Mesmo em alguns sítios as mulheres e crianças, após uma conquista americana do território de onde viviam, procuravam o suicídio!
      Não era à toa que o gigante exército americano estava a ter tantas dificuldades com o Japão e, por isso mesmo, o presidente Truman decidiu largar duas bombas nucleares em cima do Japão com a desculpa de que morreriam muitas mais pessoas na guerra em si do que com aquelas bombas, já que o Japão nunca se iria render.
      Já pensaram nisto? Truman tomou mesmo a melhor decisão? Eu digo que não, o primeiro ponto que me leva a dizer isto é o mais óbvio… foram cidades a serem bombardeadas, milhares de civis inocentes morreram, destruir alvos civis sempre foi um crime de guerra e a América nunca se preocupou muito com isso… lembro dos casos do napalm (espécie de líquido inflamável que queima tudo indiscriminadamente) no Vietname e a sua célebre foto de crianças queimadas a fugirem dele, lembro de bombas de fósforo (o fósforo fica “preso” no corpo da pessoa em combustão permanente queimando os órgãos internos) usadas no Afeganistão entre outros. De facto os EUA dizem ser os justiceiros e protectores do mundo no entanto não é bem assim, ninguém anda em guerra apenas pelo bem de toda a gente, a guerra é um negócio e dá muito lucro a alguns.
      Muitos perguntam-se porquê destas cidades e há uma teoria relativamente famosa em relação a isso. Hiroshima e Nagazaki eram as cidades mais cristãs da época e sendo Truman um maçon (sempre houve um grande conflito entre maçons e cristãos) há quem diga que esse foi o motivo da escolha. Pode parecer teoria da conspiração, pelo menos eu penso que seja, mas tem muitos adeptos.
      O último ponto, e mais importante, é de que ninguém deve ter o direito moral de matar desta forma e ainda para mais inocentes…o presidente americano pôs todas as vidas numa balança e decidiu quais pesavam mais sendo que ninguém está capacitado para fazer isso mesmo. Duas vidas não valem mais que uma nem o oposto, as vidas não podem ser comparadas… nem sequer há uma medida para a comparação! É como se a um matemático lhe perguntassem se é maior um vezes infinito ou dois vezes infinito….ambos dão no mesmo. Querer decidir quais vidas valem mais é um endeusamento do próprio e claramente reprovável.

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