Dégénérations

terça-feira, agosto 07, 2018



      Vi esta música totalmente desconhecida para mim (Mes Aïeux- Dégénérations) nos comentários de uma publicação relacionada com os problemas mais atuais da nossa sociedade, a tal dita de pós-moderna, e decidi partilhar, porque realmente suscita um ótimo e necessário debate: como está a sociedade a evoluir e será que isso se pode sequer chamar de evolução?!
      A música aborda vários temas mas vai ter sempre ao mesmo, começamos por tempos difíceis nos quais há um esforço positivo da sociedade em melhorar para depois no atual deitar-se tudo a perder.    
      Começa com o afastamento progressivo do campo e a redução a “um apartamento muito caro e frio”, aqui é dito que embora as pessoas tenham feito esse afastamento pela busca de uma vida melhor agora vivem na solidão e infelicidade.
      No decorrer da canção há um novo assunto a emergir, a problemática de que no mundo ocidental há cada vez menos crianças, os pais veem o facto de ter filhos como uma ameaça ao conforto que possam ter na vida, é como se a criança apenas servisse para eles olharem por ela, gastarem mais dinheiro e terem mais responsabilidades. Mas o verdadeiro busílis da questão está no facto de que, apesar de na geração anterior não se fizesse nada em relação aos filhos não planeados, agora “quando cometes um erro escapas abortando” ---“um erro”--- é a isso que é reduzida a conceção de uma criança! Não pretendo começar aqui um debate sobre o aborto mas esta fuga “impune” dos próprios erros afinal não é assim tão impune, pelos vistos muita gente ainda sofre psicologicamente por este tipo de atos, a consciência pesa porque para elas este ato é errado…no entanto isto não foi problema na hora da tomada de decisão! Este tipo de acontecimento demonstra uma sociedade inconsequente, uma sociedade que vive apenas no presente e só se preocupa em resolver os problemas “já” e “agora”.
      O seguinte tema fala da “constante troca de companheiros” e isso vê-se muito facilmente, o numero de divórcios cresce exponencialmente todos os anos, as pessoas encaram tanto o namoro como o casamento de uma forma demasiado leviana…não faz qualquer sentido um divórcio após duas semanas de casamento, não faz sentido um novo namoro a cada semana. Cheguei a conhecer uma rapariga de 17 anos que namorava com um rapaz mais velho e dizia ela que era apenas porque ele lhe dava presentes e que se não desse já tinham acabado…com esta idade já havia avós e avôs nossos casados e a terem filhos, com muitas responsabilidades. Isto demonstra uma sociedade irresponsável na qual os indivíduos apenas se preocupam consigo próprios e não com o parceiro…e pior, nem com os próprios filhos se preocupam! Muitas vezes os filhos são apenas “armas de arremesso” nos tribunais, danos colaterais numa luta para ver quem “fica a ganhar” no divórcio.
    

      “O teu bisavô guardava os centavos/ O teu avô ficou milionário/ …/ tu deves até o traseiro ao governo” Esta sucessão de gerações pretende demonstrar que agora há um esbanjamento de dinheiro, gasta-se muito em coisas fúteis e não se amealha para coisas realmente importantes. Este facto deve-se à atual geração sempre ter vivido numa época das “vacas gordas”, sempre houve dinheiro e poucas dificuldades passaram (no geral) sem nem sequer trabalharem para ele, vivendo à custa dos pais….não são muito raros os casos de filhos com 30 anos e ainda na casa que os viu crescer, sem nem sequer terem emprego.
      Em jeito de conclusão falo ainda de um dos males de agora da sociedade e que não foi falado directamente na música, embora englobe tudo. A sociedade afasta-se a passos largos da moral e da ética, para ela estas regras ditadas pela moralidade são como amarras que prendem o indivíduo e lhe barram a liberdade. No entanto é precisamente o oposto, citando Schopenhauer “O homem mais feliz é aquele que vive sem dores muito grandes, quer físicas quer morais, e não aquele que desfruta as alegrias mais vivas ou os prazeres mais intensos”.
               

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