Euthanasiae

segunda-feira, setembro 03, 2018

      A eutanásia é actualmente vista como um ato de compaixão, é a absolvição de todas as dores e problemas de um indivíduo e a recompensa de um descanso eterno depois de um mar de sofrimento. Segundo os defensores dela toda a gente deve ter liberdade para poder tomar qualquer decisão que apenas afecte a si próprio, incluindo a da sua própria morte.
      É um dos temas mais controversos da actualidade…Temos uma sociedade muito dividida, existem até mesmo países na qual a morte assistida foi aprovada! Nesta situação o ponteiro da balança da justiça pode pender para qualquer um dos lados.
      Uma pessoa quando põe na cabeça a ideia de pedir uma eutanásia ou até mesmo do suicídio, nunca é objetivo da pessoa morrer, mas apenas fugir de problemas ou aliviar o sofrimento. Não seria mais efectivo agir nesse sentido em vez de ir pela solução “mais simples”? Tomemos por exemplo uma paciente com cancro terminal e que sente muitas dores…não seria melhor incrementar os cuidados paliativos e a qualidade dos analgésicos? Ou até mesmo procurar uma possível cura para o cancro? A ciência fez os cuidados paliativos evoluírem de uma forma tremenda nos últimos anos e o governo em vez de apostar nisso, porque os de Portugal têm muita falta de verbas, procuram achincalhar a população com estas manobras de distracção, enquanto que o que é realmente importante passa para segundo plano.
      Para início de conversa vou dizer o óbvio, citando os panfletos do CDS: “Uma pessoa que sofre a eutanásia morre!”…Por mais óbvio que pareça, convenhamos que há pessoas que quando falam deste assunto evitam propositadamente esta verdade. Falam em atos de compaixão, amor e carinho, mas tentam esconder o verdadeiro destino da pessoa, quase sempre evitando usar palavras como “morte” pois são demasiado “pesadas”…como se o final que a pessoa vai sofrer pelas suas mãos não o fosse.
      O moto dos pró-eutanásia é de que todos devemos ter o direito a “uma morte digna”, significa que todos devemos poder escolher morrer antes de vivermos um final de vida “indigno”. Já eu pergunto-me, quando é que uma vida deixa de ser digna? É quando se sofrer alguma dor? Ou sofrer muita dor? E quanto é muita dor? É enquanto uma pessoa for tetraplégica? E no caso dos cancros e doenças degenerativas? Em que níveis paramos? E que níveis são esses que medem se uma pessoa se pode matar ou não?! Quem tem poder e legitimidade moral para decidir isso? Quem escolhe os parâmetros? Uma pessoa que odeie a sua vida, ainda que esteja bem de saúde, pode ser mais miserável que a pessoa que sofra dos piores males. A “miséria” de uma vida não se prende apenas em questões de saúde, mas também de questões socioeconómicas, para algumas pessoas a morte de um familiar muito querido seria pior que o próprio sofrimento….Porque isto não se torna também um critério para direito à morte assistida? É porque as pessoas devem continuar com a vida e fazer o melhor possível para suprir as contrariedades que a vida nos dá. Pessoas como o Stephen Hawking, mesmo tendo graves problemas físicos, podem chegar longe…uma pessoa que apenas mexia os olhos conseguiu ser considerado um dos melhores cientistas do seu tempo…será que a vida dele foi digna até ao fim? Segundo os citérios dos pró-eutanasia ele deveria ter direito a querer se matar, pois sofria de uma grave doença degenerativa…Não, todas as vidas são dignas, não há nenhuma indigna nem nenhuma que mereça a morte, muito menos se for apresentada como recompensa, como se se tratasse de um presente envenenado.
      A segunda notícia retrata a realidade que se passa nesses países ditos com um desenvolvimento superior, nos quais foi aprovada a lei da eutanásia. Abrindo o link é possível comprovar a eficácia desta medida implementada…Tudo isto são os governos a aliviarem a carga nos cuidados paliativos e nos hospitais psiquiátricos, é uma medida economicamente favorável ao estado, cada cama de um doente custa cerca de 800€/dia ao estado, ou seja, a cada eutanásia de doentes terminais é precisamente isso que o estado poupa. Com esta medida a Holanda conseguiu reverter o problema que o envelhecimento populacional deu aos seus hospitais…mas a que custo! Lá esta prática tornou-se algo comum, algo simples como prescrever uma medicação, e aqui está bem visível o resultado…Queres viver esta realidade?
      Ainda assim pergunto-me, quem deverão ser os carrascos? Serão os médicos? A profissão que jura defender a vida e apenas a vida deverá viver com esse fardo? E porquê, já que qualquer um sabe meter uns químicos num tubo?
      Todo este debate é muito importante até porque visa modificar a opinião da sociedade sobre a vida e a morte, mas é um tema muito controverso e às vezes de difícil compreensão. Infelizmente isso não cabe à sociedade mas à classe política decidir se vão retirar “A vida humana é inviolável” da constituição.
      “A prisão não são as grades e a liberdade não é a rua, existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência” Mahatma Gandhi

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