Euthanasiae
A eutanásia é actualmente vista como um ato de compaixão, é a absolvição de todas as dores e problemas de um indivíduo e a recompensa de um descanso eterno depois de um mar de sofrimento. Segundo os defensores dela toda a gente deve ter liberdade para poder tomar qualquer decisão que apenas afecte a si próprio, incluindo a da sua própria morte.
É um dos
temas mais controversos da actualidade…Temos uma sociedade muito dividida,
existem até mesmo países na qual a morte assistida foi aprovada! Nesta situação
o ponteiro da balança da justiça pode pender para qualquer um dos lados.
Uma
pessoa quando põe na cabeça a ideia de pedir uma eutanásia ou até mesmo do
suicídio, nunca é objetivo da pessoa morrer, mas apenas fugir de problemas ou
aliviar o sofrimento. Não seria mais efectivo agir nesse sentido em vez de ir
pela solução “mais simples”? Tomemos por exemplo uma paciente com cancro
terminal e que sente muitas dores…não seria melhor incrementar os cuidados
paliativos e a qualidade dos analgésicos? Ou até mesmo procurar uma possível
cura para o cancro? A ciência fez os cuidados paliativos evoluírem de uma forma
tremenda nos últimos anos e o governo em vez de apostar nisso, porque os de
Portugal têm muita falta de verbas, procuram achincalhar a população com estas
manobras de distracção, enquanto que o que é realmente importante passa para
segundo plano.
Para
início de conversa vou dizer o óbvio, citando os panfletos do CDS: “Uma pessoa
que sofre a eutanásia morre!”…Por mais óbvio que pareça, convenhamos que há
pessoas que quando falam deste assunto evitam propositadamente esta verdade. Falam
em atos de compaixão, amor e carinho, mas tentam esconder o verdadeiro destino
da pessoa, quase sempre evitando usar palavras como “morte” pois são demasiado “pesadas”…como
se o final que a pessoa vai sofrer pelas suas mãos não o fosse.
O
moto dos pró-eutanásia é de que todos devemos ter o direito a “uma morte digna”,
significa que todos devemos poder escolher morrer antes de vivermos um final de
vida “indigno”. Já eu pergunto-me, quando é que uma vida deixa de ser digna? É quando
se sofrer alguma dor? Ou sofrer muita dor? E quanto é muita dor? É enquanto uma
pessoa for tetraplégica? E no caso dos cancros e doenças degenerativas? Em que níveis
paramos? E que níveis são esses que medem se uma pessoa se pode matar ou não?!
Quem tem poder e legitimidade moral para decidir isso? Quem escolhe os parâmetros?
Uma pessoa que odeie a sua vida, ainda que esteja bem de saúde, pode ser mais
miserável que a pessoa que sofra dos piores males. A “miséria” de uma vida não
se prende apenas em questões de saúde, mas também de questões socioeconómicas,
para algumas pessoas a morte de um familiar muito querido seria pior que o
próprio sofrimento….Porque isto não se torna também um critério para direito à
morte assistida? É porque as pessoas devem continuar com a vida e fazer o melhor
possível para suprir as contrariedades que a vida nos dá. Pessoas como o
Stephen Hawking, mesmo tendo graves problemas físicos, podem chegar longe…uma
pessoa que apenas mexia os olhos conseguiu ser considerado um dos melhores
cientistas do seu tempo…será que a vida dele foi digna até ao fim? Segundo os
citérios dos pró-eutanasia ele deveria ter direito a querer se matar, pois
sofria de uma grave doença degenerativa…Não, todas as vidas são dignas, não há
nenhuma indigna nem nenhuma que mereça a morte, muito menos se for apresentada
como recompensa, como se se tratasse de um presente envenenado.
A
segunda notícia retrata a realidade que se passa nesses países ditos com um
desenvolvimento superior, nos quais foi aprovada a lei da eutanásia. Abrindo o
link é possível comprovar a eficácia desta medida implementada…Tudo isto são os
governos a aliviarem a carga nos cuidados paliativos e nos hospitais psiquiátricos,
é uma medida economicamente favorável ao estado, cada cama de um doente custa
cerca de 800€/dia ao estado, ou seja, a cada eutanásia de doentes terminais é
precisamente isso que o estado poupa. Com esta medida a Holanda conseguiu
reverter o problema que o envelhecimento populacional deu aos seus hospitais…mas
a que custo! Lá esta prática tornou-se algo comum, algo simples como prescrever
uma medicação, e aqui está bem visível o resultado…Queres viver esta realidade?
Ainda
assim pergunto-me, quem deverão ser os carrascos? Serão os médicos? A profissão
que jura defender a vida e apenas a vida deverá viver com esse fardo? E porquê,
já que qualquer um sabe meter uns químicos num tubo?
Todo
este debate é muito importante até porque visa modificar a opinião da sociedade
sobre a vida e a morte, mas é um tema muito controverso e às vezes de difícil compreensão. Infelizmente isso não cabe à sociedade mas à classe política decidir se vão
retirar “A vida humana é inviolável”
da constituição.
“A
prisão não são as grades e a liberdade não é a rua, existem homens presos na
rua e livres na prisão. É uma questão de consciência” Mahatma Gandhi


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